A primeira técnica mulher da seleção brasileira feminina de futebol, Emily Lima, foi demitida no final do mês passado, e todos os problemas de gestão foram expostos diante da sua saída. Quando a ex-técnica foi contratada, a representatividade gerou um avanço histórico na luta por igualdade de gênero dentro de uma instituição historicamente marcada pelo pensamento retrógrado, como a CBF.

Em Belém, algumas mulheres comandam os times femininos, como a Marcia Cristina, do Carajás, e Aline Costa, do Paysandu, e lutam todos os dias para vencerem o preconceito dentro e fora de campo. A comandante bicolor, que está no futebol desde 2008, quando o Campeonato Paraense Feminino voltou a ser disputado, e que, como técnica, atua desde 2001, conta em entrevista que já sofreu vários tipos de preconceitos e faz uma avaliação sobre a demissão de Emily.

Quando virou técnica, quais tipos de preconceito sofreu? Ainda sofre com isso? Como?

Sofri vários preconceitos, principalmente pela parte da torcida. Por ser mulher, não acreditavam no meu potencial, mas com o passar dos anos venho mostrando que futebol é coisa de mulher sim e, principalmente, como treinadora, já mostramos que somos capazes de exercer esta função. Hoje em dia já sinto que muitos nos respeitam e creio que estamos ganhando nosso espaço no futebol.

O que achou da demissão da técnica Emily Costa?

Para mim, a demissão da Emily foi uma atitude de retrocesso para nossa categoria, já que ela estava fazendo um bom trabalho na seleção. Trazer um treinador “homem” (Vadão), que não ganhou nada, e ainda por cima não é benvindo pelas atletas…


Tem homens que não aceitam perder para a mulher. Vejo desta maneira. O reflexo de tudo são as atletas desistindo de jogar pela nossa seleção, isso é muito lamentável. Sou a favor da volta de Emily. Em São Paulo, no jogo contra a Portuguesa, tive o privilégio de conhecê-la.

O que você acha da posição de algumas atletas que abandonaram a seleção por conta da decisão da CBF?

Para mim, as atitudes das atletas são de revolta por algo que não está sendo feito pelo futebol feminino.

Como você acha que esse panorama pode ser mudado?

Tudo isso pode ser mudado com muito apoio para nossa modalidade. Valorização.

A treinadora Emily Lima diz que sua saída se deu pelo fato de explicitar os problemas da modalidade, sempre sem o apoio do coordenador de futebol feminino da CBF, Marco Aurélio Cunha. Você sofreu muito com essa falta de apoio?

Essa falta de apoio prejudica o nosso crescimento. Primeiro tem que gostar da modalidade, pelo visto Marco Aurélio Cunha não está se importando com o crescimento do nosso futebol feminino.

Como você avalia o modelo de competição brasileiro?

Muito bom. Um campeonato bem elaborado e com o apoio da Confederação Brasileira de

Futebol (CBF), os clubes ficam mais tranquilos para trabalharem.

E o modelo de competição do Paraense feminino?

Bom, primeiro eu não participei da reunião para elaborar e discutir sobre o modo de disputa. Então prefiro não comentar.

Como você vê o mercado para técnicas de futebol feminino?

O mercado para técnica deve crescer cada vez mais. Nós mulheres somos capazes de exercer esta função tão bem ou até melhor que os homens.

(K.L. Carvalho/Diário do Pará)

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