Depois de ter sua comissão de futebol desmontada por seus próprios integrantes, capitaneados pelo, agora, ex-diretor Ulisses Sereni, o Paysandu informou, no último sábado, mudança no comando do departamento. De acordo com informações passadas à imprensa, pela assessoria do clube, o próprio presidente Tony Couceiro, juntamente com os seus vices Ricardo Gluck Paul e Alexandre Pires, passarão a dar as ordens diretamente no departamento, tendo a ajuda de alguns colaboradores, entre eles José Anísio, apelidado de Bodinho, único “sobrevivente” do grupo que dirigia o futebol bicolor.

De acordo com a nota da assessoria, Couceiro e seus auxiliares comandarão o departamento de “forma mais incisiva até o final da temporada”. O texto, diz ainda que a presidência do clube sempre deu “autonomia total aos diretores que ocuparam qualquer cargo no clube”. Mas, segundo Sereni, a dissolução da comissão que ele comandava ocorreu justamente pelo fato de o grupo não ter soberania para tomar decisões, como ocorreu no caso do gerente Fernando Leite, que teve sua “cabeça” pedida pelo ex-diretor e não avalizada por Couceiro.

“Como não tive o meu pedido aceito, decidi sair por achar que um funcionário do clube tinha mais importância para o Paysandu”, disparou Sereni, que deu adeus à Curuzu, prometendo não voltar mais a colaborar com a agremiação. “Não posso fazer um papel que o Conde fez, não tendo voz pra nada”, disse Sereni, se referindo ao ex-diretor de futebol Lucas Conde, que chegou a comandar o futebol bicolor sozinho, fazendo parte, depois, da comissão de futebol, da qual acabou se desligando em agosto.


Sereni não poupa críticas a alguns dirigentes da atual gestão bicolor. Sem citar nomes, ele disparou contra esses cartolas. “São quatro, cinco dirigentes que fazem o que bem entendem, achando que o Paysandu é deles”, acusou. O ex-dirigente ratificou o pensamento de ter sido desvalorizado no cargo, assim como os demais integrantes do grupo que comandava o futebol. “Houve um desrespeito comigo, então esse desrespeito eu não admiti. Um cara (funcionário) que desrespeita um diretor o faz por entender que tem as costas largas”, comentou.

  • EM NÚMEROS

R$ 100 mil – Segundo Sereni, ele gastou do próprio bolso cerca de R$ 100 mil para ajudar o Paysandu.

Sereni não poupa críticas após a saída

Idealizador e principal incentivador do lançamento da marca Lobo, que hoje é uma das principais fontes de arrecadação do Paysandu, o ex-diretor Ulisses Sereni, nesta sua breve passagem pelo comando do departamento de futebol do clube, diz ter enterrado uma boa grana na Curuzu. “Só agora, de agosto pra cá, eu gastei quase R$ 100 mil para organizar algumas coisas”, contou. “Algumas pessoas que eu procurei também colaboraram”, prosseguiu. Segundo Sereni, essa ajuda dos colaboradores só foi possível graças ao prestígio que ele tem com elas. “São ajudas que acontecem porque o pedido foi feito por mim”, afirmou.

Em seu desabafo, o ex-diretor não poupou a cara de quase ninguém. Além do gerente Fernando Leite, o analista de desempenho Cadu Furtado e o ex-executivo André Mazzuco, responsável pela contratação de uma “penca” de pernas de pau para o clube, foram alguns dos alvos.

“Tudo o que acontece aqui o (André) Mazzuco sabe lá no Paraná”, afirmou. “O Fernando Leite, que é assecla dele, repassa tudo”, disparou. Na avaliação do ex-diretor a decisão de deixar o futebol do Papão já deveria ter ocorrido antes. “Acho que até que aguentei muito”, avaliou. O episódio da saída da comissão, segundo o ex-diretor, por pouco não tem até disputa física. “O Bodinho chegou a querer dar porrada no Fernando”, contou. Sereni diz não estar preocupado com o futuro político do clube. “Se quiserem colocar até o (Alberto) Maia, que é meu desafeto, pra candidato a presidência podem colocar. Não estou nem aí”, concluiu.

(Nildo Lima/Diário do Pará)