Em uma noite em que o futebol insistiu em não terminar no apito final, como se o próprio tempo tivesse dúvida sobre o que havia acabado de acontecer no Mangueirão, o confronto entre Palmeiras e o Remo ganhou contornos que ultrapassaram o placar. O gol anulado de Bruno Fuchs nos acréscimos, que daria a vitória ao time de Abel Ferreira, transformou-se no principal tema da rodada e recolocou a arbitragem no centro do debate.
Nos instantes finais, o Palmeiras chegou ao que seria o gol da vitória. A bola na rede, no entanto, durou pouco. A arbitragem identificou a participação de Flaco López em um toque de mão imediatamente antes da finalização e anulou o lance, gerando imediata contestação e reações intensas fora de campo.
CONTEÚDO RELACIONADO
- Remo e Palmeiras empatam após chuva, gol relâmpago e polêmicas do VAR
- Dirigente do Remo critica arbitragem após jogo contra Palmeiras: “Se omitiu”
- Analista da Globo diz que gol do Remo não deveria ser anulado
A EXPLICAÇÃO DE PC OLIVEIRA
Durante o programa Fechamento Sportv, PC Oliveira detalhou o entendimento da regra e suas mudanças recentes. Em sua análise, ele afirmou: “Com relação ao lance de hoje, a gente precisa analisar sob dois pontos de vista: o primeiro é o que diz a regra do jogo, e o segundo é a maneira como os árbitros são instruídos.”
Quer mais notícias de esportes? Acesse o canal do DOL no WhatsApp.
Em seguida, o comentarista contextualizou a mudança normativa. “Até 2021, quando saía um gol imediatamente após um toque de mão, ele tinha que ser anulado em todas as circunstâncias: quando o próprio jogador fazia o gol ou até mesmo quando o companheiro dele fazia o gol, como foi esse lance de hoje, até 2021 tinha que ser anulado”, explicou.
GOL IRREGULAR NA FINAL DO MUNDIAL MUDOU A REGRA
PC Oliveira também lembrou um caso marcante como divisor de águas na interpretação da regra. “Na final do Mundial de Clubes de 2021, o Bayern de Munique ganhou do Tigres com um gol em que a bola bateu no braço do Lewandowski, sobrou e o Bayern de Munique fez o gol. Naquela ocasião era um gol irregular, o árbitro deu e, depois dessa final do mundial, a FIFA se reuniu com a IFAB e disse assim: ‘Olha, vamos mudar a regra. A gente só vai anular quando o próprio jogador fizer o gol. Quando for o companheiro dele, o gol vai ser legal, ok?'”, detalhou o ex-árbitro.
Por fim, ele resumiu o entendimento atual da arbitragem. “E, a partir daquele momento, os árbitros começaram a ter bastante precisão na análise desse tipo de lance. Você só anula um lance como esse se a bola bater ali de uma maneira acidental, está numa ação de disputa, sobra e o Flaco faz o gol. Quando ela sobra para um companheiro, o que diz a regra? Tem que ser dado o gol. Isso é o que diz o texto da regra do jogo”, enfatizou.
REMO TEVE GOL ANULADO NAS MESMAS CIRCUNSTÂNCIAS
Para ilustrar a recorrência desse tipo de interpretação e reforçar seu argumento, PC Oliveira lembrou dois episódios recentes do futebol brasileiro em que a mesma diretriz foi aplicada pela arbitragem e pelo VAR. Inclusive com um deles envolvendo um gol anulado do Remo contra o Atlético-MG na atual temporada.
“Tem sido recorrente. No ano, eu tenho batido nesse tema desde o ano passado. O Grêmio teve um gol anulado contra o Santos num toque acidental na mão do Edenilson, que estava bem pertinho do joelho; sai o gol. Eu falei: está errado. No Campeonato Brasileiro deste ano, terceira rodada, Remo e Atlético Mineiro, o Remo teve um gol anulado em que o jogador sobe para cabecear, a bola bate acidentalmente no braço dele numa posição natural e, na sequência, sai o gol do Remo. O VAR chamou e o gol foi anulado”, lembrou.
CONTESTAÇÃO PALMEIRENSE
Do lado palmeirense, o clima foi de forte insatisfação com a decisão. Após a partida, o zagueiro Bruno Fuchs e o diretor de futebol do Palmeiras, Anderson Barros, contestaram duramente a decisão da arbitragem que anulou o gol nos acréscimos. Para ambos, o fato de a bola ter tocado na mão de Flaco López antes da finalização de Fuchs não seria suficiente para invalidar o lance, já que o gol foi concluído por outro jogador. O dirigente, no entanto, elevou o tom e recorreu a uma interpretação da IFAB para sustentar sua crítica.
Em sua fala durante a entrevista coletiva no Mangueirão, Anderson Barros afirmou. “De acordo com a International Football Association Board, se a bola tocar acidentalmente na mão ou no braço de um jogador de ataque, e em seguida um companheiro de equipe finalizar e marcar o gol, o tento é legal e confirmado. Para melhor entender a dinâmica da regra na mão na bola: Quando o gol é anulado? Se o próprio jogador, cuja mão tocou na bola, fizer o gol imediatamente após o toque, mesmo que seja de forma acidental. Quando o gol é validado? O toque acidental, no início da jogada, não é infração caso a bola sobre para outro atleta chutar para as redes”, pontuou.
“Se todos nós observarmos o lance, o defensor do Remo cabeceia na mão do López, a bola sobra para o Fuchs, e ele faz o gol. É gol, seriam dois pontos a mais para o Palmeiras. Só faço uma pergunta: De quem vai ser essa responsabilidade? Acho que está chegando num momento que a gente não pode mais permitir. É uma responsabilidade da Confederação Brasileira de Futebol, da diretoria de arbitragem, do Rodrigo Cintra, do Péricles Bassols. A gente não pode mais permitir que essas situações aconteçam. Se tem dúvida, leve tempo suficiente para poder julgar o lance, mas não podemos mais cometer esse tipo de erro”, ressaltou.
Na sequência, Bruno Fuchs também defendeu a legalidade do gol ao comentar o lance. “Eu falei que, pelo que conheço da regra, se o Flaco fizesse o gol, teria que ser anulado. A bola pegou na mão do Flaco, só que sobrou para mim. A regra é bem clara, não foi uma mão intencional dele. Foi uma bola perto e sobrou para mim, eu que fiz o gol. Não sei se eles têm que saber a regra. Eu tentei conversar, falei: ‘Klein, a regra é clara, a bola bateu no Flaco e sobrou para mim, não sobrou para ele’. Em todo jogo, todas as equipes falam da arbitragem, não sei se os jogadores têm que entender melhor ou os próprios árbitros.”

















