Passeio do Belo na Curuzu

O desastre podia ter sido até maior. O Botafogo-PB venceu o PSC dentro da Curuzu, meteu 2 a 0, mas teve chances de fazer três ou quatro. Atuação caprichada do time paraibano, que foi superior desde os primeiros minutos. Adiantou marcação para atrapalhar a movimentação dos bicolores e foi muito bem sucedido nessa estratégia.

Com excelente presença dos laterais e homens de meio, o Botafogo avançava sempre com perigo, com qualidade e quantidade. Luan Lúcio foi um dos mais acionados, em cima do lateral Bruno Collaço. Errático, apelando para faltas o tempo todo, Collaço era facilmente envolvido.

Luan acertou o primeiro disparo. As saídas do PSC eram tímidas, com bolas longas para Marlon e Igor Goularte. Enquanto isso, Nicolas, principal atacante da equipe, não tocou na bola até os 23 minutos.

Os primeiros sinais de que a noite seria indigesta para o PSC era o apetite com que o Botafogo se lançou ao jogo. Mordeu o tempo, marcando em cima e saindo sempre com clareza de ideias, distribuindo-se muito bem.

Claiton perdeu grande chance diante do goleiro Victor Souza, aos 19’, após passe perfeito de Luan. Perema saía estabanado tendo que parar jogadas com falta. Tomou um amarelo e depois cometeu faltas que poderiam ter sido punidas com o segundo cartão. Saiu no lucro.

Aos 35’, Welton teve excelente chance, mas finalizou mal. Dez minutos depois, após um presente de Bruno Collaço na saída de bola, Luan serviu a Welton, que disparou rasteiro da entrada da área para o fundo das redes.


Combalido, o PSC foi para os vestiários e voltou com a mesma formação. O técnico Vinícius Eutrópio deu-se por satisfeito com a pífia apresentação. Logo aos 5 minutos, Clayton experimentou de fora da área e mandou um chute forte, bem defendido por Victor Souza.

O PSC se confundia nas mínimas tentativas de avançar, permitindo recuperação imediata da bola pelo adversário. Aos 12’, Clayton teve nova boa chegada ofensiva, mas chutou mal. Aos 21’, arriscou de novo.

Com tranquilidade, o Belo dificultava ainda mais o desenvolvimento de jogo do PSC. Por puro impulso, o Papão avançou e até teve uma grande chance de empatar: aos 37’, Nicolas foi lançado livre na linha da pequena área, mas não conseguiu acertar a bola.

Aos 43’, o Belo teve oportunidade preciosa para ampliar. Maurinho arrancou pela direita, recebeu passe preciso e bateu cruzado na saída de Victor Souza, que fechou o ângulo e evitou o gol.

Logo em seguida, aproveitando o pandemônio da zaga bicolor, o veterano Marcos Aurélio (37) recebeu passe de Maurinho e entrou na área pela esquerda. Driblou o goleiro e chutou colocado no canto direito. O lateral Marcelo ainda tentou salvar, mas tropeçou e entrou com bola e tudo.

Os números da produção ofensiva atestam a supremacia do Botafogo em campo. Foram 13 finalizações corretas contra apenas três do PSC. Quem estava mesmo a fim de jogo era o time paraibano. Veio, viu e venceu.

Patrulha desinformada confunde Tite com João Sem Medo

Tite foi chamado de “comunista” e violentamente atacado por robôs e ativistas bolsonaristas nas redes sociais. Em meio à balbúrdia reinante, há quem defenda sua substituição pelo falastrão Renato Gaúcho. Tudo isso porque o técnico da Seleção teria questionado a realização da Copa América no país. Nunca explicitou isso, mas a história circulou.

Tite prometeu fazer uma declaração hoje, após o jogo contra o Paraguai. Deve acalmar os espíritos, descartando qualquer vinculação com as ideias de Karl Marx, para alívio dos desinformados de plantão. Adenor jamais chegaria tão perto assim da valentia de um João Saldanha, que teve a pachorra de contrariar um general-presidente.

Ao mesmo tempo, as ameaças de boicote à competição já foram contornadas. Quando boa parte da massa torcedora imaginava que os boleiros finalmente haviam despertado para a realidade, os líderes do escrete aceitaram placidamente jogar a Copa, satisfeitos com o afastamento (ainda temporário) de Rogério Caboclo da presidência da CBF.

Ao mesmo tempo, o ministro da Saúde garante que os jogadores que vão se arriscar na Copa América não estão obrigados a tomar vacina. Sob certo ponto de vista, faz até sentido (e coerência) em meio aos desacertos da campanha nacional de imunização.

De qualquer maneira, a declaração marca um recuo do governo, que semana passada anunciou que todas as delegações seriam vacinadas antes de entrar no Brasil para disputar o torneio.

O ministro acha que está tudo tranquilo e que basta aplicar os protocolos sanitários para que o evento aconteça sem percalços. Sabe-se apenas que o Brasil segue, impávido, como um dos recordistas mundiais em óbitos pela covid: 474.414 mil até ontem.

Um espectador a menos

“Recuso-me a ver a ‘Cova América’ que o governo genocida resolveu sediar no Brasil a partir da semana que vem. Não terá a minha audiência. Como cidadão e como torcedor, declaro-me emancipado e desobrigado de entrar na onda dos aloprados e insensatos que não conseguem enxergar a gravidade da pandemia. Tou fora!”.

Iran Souza, torcedor e jornalista