Depois de uma goleada de 6 a 1 e de deixar as últimas colocações, era de se esperar que a semana seguinte de treinos seria das mais tranquilas. Mas os últimos dias na Curuzu pareciam o making of de um filme catástrofe. O técnico Hélio dos Anjos foi embora sob um dilúvio de acusações entre ele e membros da diretoria. Um trabalho de quase um ano e meio foi interrompido abruptamente, o time ficou sem treinador e vai encarar hoje à noite o segundo colocado do Grupo A. Ferroviário-CE e Paysandu se enfrentam às 20h, na Arena Castelão, com o auxiliar Leandro Nieheus interinamente no comando, guardando lugar para Matheus Costa, já contratado e que assume o time na terça-feira (22).
Com Nieheus, foram três dias de trabalho com um grupo de jogadores quase todos conhecidos dele, ainda assim pouco tempo para maiores mudanças. A tendência é que hoje ainda se veja muito do antigo treinador em campo. Dentro do elenco, Nieheus foi bem recebido. O artilheiro bicolor, Nicolas, garante que entre eles, jogadores, o assunto já foi superado em prol da necessidade de manter o time competitivo. “Rei morto, rei posto”, não há tempo para lamentações e sim de ir para cima dos adversários que se postarem à frente da equipe bicolor.

“Quem vive no futebol está acostumado a mudanças e tem que estar preparado. Vestimos a camisa do Paysandu e nosso objetivo é bem claro, que é o acesso. O Leandro vai nos treinar até chegar o novo comandante. Para a gente resta trabalhar forte e desempenhar nosso papel”, comentou Nicolas.

O atacante ratificou a relação dos atletas com a diretoria e que as rusgas com o antigo comandante não chegaram ao vestiário, que, segundo ele, se mantém focado em busca de uma boa campanha para tentar o acesso.

“A preparação vem sendo forte e de confiança. Ganhamos um voto de confiança da diretoria e isso nos dá tranquilidade. Serão dois jogos difíceis dentro de casa, mas estaremos preparados”, disse. “O Paysandu é um dos principais postulantes ao acesso na competição, ele entrou para vencer. Agora teremos tempo para trabalhar, com semanas cheias para melhorarmos nossa situação na classificação”, completou Nicolas.

Curiosidade

No jogo de hoje entre Papão e Tubarão o zagueiro e capitão bicolor, Micael, garante que estará em campo com uma motivação extra para fazer um gol. O goleiro do time cearense, Nicolas, é nada menos que irmão gêmeo do defensor alviazul.


Micael brinca com a situação, lembrando que mãe, Janice Modinger, só não sofrerá se houver um empate. Uma vitória significará que alguém perdeu e muita bronca da mãe. “É sempre um momento especial. Apenas uma vez nós nos enfrentamos. A família já começa com brincadeiras, a mãe já diz que não vai nem ver. Levamos na esportiva, mas os dois vão buscar a vitória”, confirma Micael, que deixa clara a vontade de balançar as redes para zoar com o irmão. “Quem mais quer passar por ele sou eu. Estou louco para fazer um gol nele”.

Sobre as conversas no dia a dia entre os irmãos, o zagueiro do Paysandu garante que nunca é sobre os times que jogam e que ninguém troca informação, ainda mais quando são rivais. “Troca de informações não tem como ter. um respeita o outro. Hoje em dia as informações são muito fáceis de ter, quanto a nós dois o que tem é apenas brincadeira”, finaliza Micael.

Chegar no G4 é a obsessão bicolor

Segundo o site de estatísticas esportivas Chance de Gol, com os resultados da última rodada e o salto que o Paysandu deu na tabela de classificação, as chances bicolores de acesso melhoraram bastante. Pelas contas e projeções do site, o time bicolor é o quinto entre os dez clubes do grupo A com 29,1% de chances de classificação para a segunda fase, curiosamente à frente do Remo, que ocupa a terceira colocação mas é apontado com 28,2%.

O adversário de hoje é quem aparece com maior probabilidade de classificação. O Ferroviário-CE tem 97,8% de chances, mais até que o líder Santa Cruz-PE. Na projeção para o confronto do Castelão, o site aponta o time da casa como favorito com 59,2% de chances de vitória, com o Papão com apenas 16,5% de chances de surpreender e vencer fora de casa, com o empate com um índice de 24,4%.

Entre os jogadores os números não entram em campo. Eles sabem que a necessidade é de pontuar, de preferência surpreendendo e vencendo a primeira como visitante nessa Série C. “Estamos em uma posição que não podemos mais perder pontos. Precisamos pontuar para chegar ao G4. A vitória passada foi apenas uma obrigação de quem jogava em casa. A gente sabe que é um time que é muito forte no Castelão, não à toa está no G4”, diz o volante Serginho

No ataque, Uilliam Barros e Elielton foram os grandes destaques do jogo anterior e passaram a ser armas mais efetivas da equipe bicolor. “Quero sempre ajudar a equipe da melhor forma possível e que trabalho muito em busca de uma oportunidade”, afirma Elielton, que sabe muito bem o quanto os três pontos de hoje são importantes. “Se vencermos o Ferroviário vamos chegar na parte de cima da tabela. É importante estar sempre no G4 e conseguir uma sequência de vitórias”.

Com os gols nos últimos jogos Uilliam tornou-se o vice-artilheiro do Papão, atrás apenas de Nicolas. Para o centroavante, a busca pelos gols tem um valor individual mas, principalmente, pelo coletivo. “O Nicolas é muito importante para o grupo e vive uma fase muito boa. Aqui todos se ajudam, ainda mais quando alguém está num momento muito bom como o dele”.

Time cearense busca a reabilitação

Segundo colocado no Grupo A, o Ferroviário busca a recuperação depois de dois empates seguidos diante do Manaus-AM e do Jacuipense-BA. O confronto contra o Papão é considerado dos mais difíceis, mas a ordem no Tubarão é voltar a vencer para se consolidar no G4 da competição. O volante Diego Lorenzi salientou a tradição do adversário como mais um obstáculo a ser transposto, a despeito dos problemas que rondavam a Curuzu nos últimos dias.

“O Paysandu é um time que tem a camisa pesada. É um time que vem forte, independente das circunstâncias e do momento, que tem jogadores experientes e rodados”, disse. “Vai ser um jogo muito difícil, vamos ter respeito, mas a gente vai ter que impor o nosso jogo porque a gente que recuperar os pontos perdidos com os empates”, completou o meio-campista.

Mesmo tendo empatado com um dos piores times da competição, Lorenzi preferiu valorizar o ponto conquistado a lamentar os dois que poderiam ter sido ganhos. “Foi um jogo bem difícil, onde a gente conseguir somar um ponto, mas a gente ficou com um gostinho meio amargo. A gente podia ter saído com um resultado melhor, mas, no final das contas, a gente tem que agradecer também porque estar somando um ponto é sempre válido”.

(Diário do Pará)

 

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