A negociação que está levando Pedro Henrique ao Flamengo não é apenas a maior venda da história recente do Paysandu. Ela também funciona como um alerta para o futebol paraense.

O volante de 18 anos sai mediante pagamento integral da multa rescisória. O clube recebe R$ 3,4 milhões à vista, mas não mantém qualquer percentual sobre uma futura transferência. O ativo deixa de existir no patrimônio esportivo.

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Esse é o primeiro ponto de reflexão: base não é gasto, é investimento estruturado.

Durante anos, tanto Paysandu quanto Clube do Remo trataram as categorias inferiores como setor secundário. Estrutura limitada, pouca integração com o profissional e planejamento irregular marcaram gerações.

O resultado foi previsível: poucos ativos consolidados e dependência constante do mercado. Pedro Henrique mostra o contrário. Quando há sequência, oportunidade e exposição, o mercado responde.




Proteção patrimonial é obrigação, não detalhe

Ao aceitar a multa cheia por 100% dos direitos, o clube resolve o caixa imediato, mas abdica de receitas futuras. Em um cenário de valorização, poderia manter 10%, 20% ou cláusula de mais-valia.

Se o atleta for negociado internacionalmente por cifras maiores, o Paysandu só terá direito ao mecanismo de solidariedade da FIFA, percentual limitado e proporcional ao período de formação.

Em um cenário ideal, clubes precisam:

  • Trabalhar multas progressivas e compatíveis com o potencial do atleta
  • Manter percentual mínimo em futuras vendas
  • Negociar bônus por metas e valorização
  • Integrar base e profissional com planejamento financeiro



Outro ponto pouco debatido é o timing da venda. Vender por necessidade financeira imediata costuma gerar acordos menos vantajosos. Clubes estruturados vendem por estratégia, não por urgência.

Renovar cedo, elevar multa progressivamente, blindar janela decisiva e estruturar bônus por metas são práticas comuns em centros mais organizados. Isso evita que o mercado dite o preço.

No Norte, ainda se negocia no susto.

Se Remo e Paysandu desejam competir nacionalmente sem depender apenas de receitas externas, a base precisa virar projeto permanente de clube, com um departamento jurídico forte, análise de mercado e planejamento de médio prazo, e não projeto de gestão

O caso Pedro Henrique não é fracasso. É oportunidade de ajuste. Porque formar é importante. Mas saber vender é ainda mais decisivo. O desafio agora é transformar talento em modelo sustentável. Se nada mudar, novos Pedros surgirão e sairão pelo mesmo caminho.



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