O tênis vem conquistando novos praticantes em Belém e deixando para trás, aos poucos, a imagem de que seria uma modalidade restrita a um público de maior poder aquisitivo. Crianças, adolescentes, adultos e pessoas com mais de 50 anos passaram a procurar o esporte por diferentes motivos, entre eles saúde, lazer e qualidade de vida.

A percepção é de quem acompanha diariamente a movimentação das quadras na capital paraense. Waldemar Feitosa, CEO da Ultra Belém Tênis, afirma que o perfil dos praticantes se tornou mais diversificado e que o esporte passou a ocupar um espaço diferente na rotina de quem procura uma atividade física.

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“É muito empolgante ver o tênis ganhando cada vez mais destaque em nossa cidade. É um movimento que, para nós, parece romper a barreira de que o tênis é esporte de elite”, afirma.



Segundo Waldemar, a procura reúne pessoas com objetivos distintos, mas existe um ponto em comum entre muitos dos novos praticantes: a busca por uma vida mais saudável. Para ele, o atual momento de valorização do bem-estar também ajudou a despertar a curiosidade de quem nunca havia tido contato com a modalidade.

“Todos esses motivos são importantes e relevantes, mas acredito que a saúde é o principal deles. O momento wellness que vivemos despertou a curiosidade de muitas pessoas em conhecer o tênis”, explica.




A relação com o esporte, porém, não se resume ao exercício físico. O dirigente também percebe uma mudança na forma como as pessoas enxergam a prática esportiva. Para alguns alunos, o treino se tornou um momento de pausa em meio à rotina acelerada.

“Para muitos é também um lifestyle, o momento que você desliga dos problemas diários para jogar. Isso é maravilhoso”, destaca.



A barreira do custo

A ideia de que o tênis é necessariamente caro também vem sendo questionada pela expansão das aulas coletivas. O formato permite dividir os custos entre os participantes e, ao mesmo tempo, transforma o treinamento em uma experiência de convivência.

Na avaliação de Waldemar, esse modelo ajudou a romper uma das principais barreiras para quem tinha vontade de experimentar o esporte. “Hoje temos muitas aulas em grupo, normalmente de 4 pessoas, e isso facilita o acesso no quesito financeiro. A nossa academia tem a maioria de aula em grupo de quatro pessoas. Isso facilita o acesso ao aluno e deixa a aula mais dinâmica e competitiva”, explica.



O desafio do alto rendimento

Para chegar ao nível profissional, entretanto, não basta apenas descobrir novos talentos. O desenvolvimento de um atleta exige estrutura, espaço para treinamento e uma rotina de longo prazo.

Waldemar acredita que o Pará possui potencial para formar jogadores competitivos, mas vê a falta de quadras e de espaços adequados como um dos principais limitadores para esse processo.

“Temos ainda potencial, sim, de formar bons tenistas. Um ponto limitante aqui é que, por falta de estrutura e espaço, não conseguimos disponibilizar mais quadras”, explica.



No alto rendimento, a exigência aumenta. Segundo ele, a formação de um tenista competitivo envolve dedicação contínua e investimento durante vários anos.

“Para alto rendimento aí sim você precisa de foco, disciplina e persistência. Para formar um bom tenista para competir leva tempo e investimento. E para isso precisamos de espaço adequado”, afirma.



Apesar das dificuldades, a perspectiva é de crescimento. O aumento do número de praticantes e a diversificação do público indicam que o tênis pode continuar ganhando espaço na capital paraense, enquanto a discussão sobre infraestrutura se torna fundamental para determinar até onde essa expansão pode chegar.

Para Waldemar, o cenário permite pensar também na formação de atletas capazes de representar o estado nacionalmente.

“O futuro é promissor e logo estaremos celebrando um tenista paraense na elite nacional”, projeta.



A evolução da modalidade em Belém, portanto, passa por dois desafios distintos: fazer com que mais pessoas tenham acesso ao primeiro contato com o esporte e criar condições para que os talentos encontrados possam permanecer e evoluir até o alto rendimento. É justamente nesse ponto que a expansão das quadras públicas e de projetos de iniciação pode fazer diferença.

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