Neto, zagueiro sobrevivente da tragédia envolvendo o avião da Chapecoense, em entrevista para o documentário Para sempre Chape, de Luis Aras (Foto: Divulgação)

Em 7 de agosto de 2017, Barcelona e Chapecoense disputaram um amistoso no Camp Nou que valia o Troféu Joan Gamper, conquistado pela equipe local. Exatamente um ano depois, o documentário Para sempre Chape, dirigido pelo uruguaio Luis Aras, teve pré-estreia no Brasil e apresenta a história do clube desde o início, em 1973, até seu reerguimento após a tragédia com sua delegação, em novembro de 2016. O lançamento para o público geral será no próximo dia 9 de agosto e 50% do lucro da produção será revertido para o clube.

“Sempre estive atento à ascensão da Chapecoense. Depois da tragédia, acompanhei a vontade do clube de se reerguer e pensei ‘como isso é interessante, o que eles estão fazendo depois de tudo’. Então, entrei em contato com o clube e comecei a encontrar histórias”, disse o diretor nesta terça-feira, após sessão do filme, em São Paulo. “Gosto muito de contar histórias de superação, sempre respeitando e não sendo sensacionalista. Eu queria focar nas pessoas”.

Diretor de sete obras, entre eles Jogadores com patentes, que mostra a rivalidade entre Peñarol e Nacional, Aras pretendia trazer, com seu novo documentário, o espírito de superação do clube catarinense. “É sempre possível trazer algo positivo de uma tragédia. Minha intenção era mostrar o desejo do time em devolver a alegria para a população de Chapecó, voltar a ter esperança… No fim, é o próprio simbolismo do futebol, ter esperança”.


História

Durante o longa, que tem duração de 74 minutos e foi gravado de março a setembro de 2017, não há exploração de nenhuma imagem da queda do avião nem dos caixões, somente uma passagem muito rápida do velório coletivo ocorrido na Arena Condá. Ao contrário, o que se vê são depoimentos dos quatro brasileiros sobreviventes (o jornalista Rafael Henzel e os jogadores Jackson Follman, Neto e Alan Ruschel); do presidente Plínio David De Nes Filho; de João Carlos Maringá, então gerente de futebol; de Sirli de Freitas, esposa do assessor do clube, Cléberson; Yaneth Molina, controladora do voo; do ex-goleiro Nivaldo Martins e do ex-presidente Nei Roque Mohr. Os dois últimos estariam no avião se não fossem alguns empecilhos antes da viagem.

O que se vê, então, é a própria história do clube, que nasceu em maio de 1973 e construiu uma família com toda a cidade, como praticamente todos os depoimentos revelaram. Com poucos funcionários e dinheiro limitado, alcançou diversas conquistas do Campeonato Catarinense (1977, 1996, 2007, 2011, 2016 e 2017) e uma Copa Santa Catarina em 2009, mesmo ano no qual disputou a Copa do Brasil e conseguiu seu acesso à Série D do Campeonato Brasileiro.

Desse grande feito, vieram outros: em cinco anos, a equipe de Chapecó chegou à elite do futebol brasileiro, na Série A, e no ano seguinte disputou pela primeira vez uma competição internacional, a Sul-Americana. Em 2016, tudo se repetiu, mas no meio do caminho havia um avião sem combustível e que avisou ser uma emergência a apenas dois minutos da queda, como informou a controladora de voo durante o documentário. Foram 71 mortos, entre atletas, técnico, comissão, jornalistas, convidados e tripulantes. A homenagem do Atlético Nacional, adversário da grande final, também teve destaque na produção, que foi filmada em quatro localidades (Montevidéu, Chapecó, Medellín e Barcelona).

No Campeonato Brasileiro de 2018, a Chape ocupa atualmente a 16ª posição, com 18 pontos. Também disputa a Copa do Brasil, que está nas quartas de final, e foi eliminada na Libertadores pelo Nacional, em fevereiro. Diante dos resultados apresentados e depoimentos, a palavra-chave segue sendo reconstrução.

“Eu tinha imagens dos entrevistados chorando, do avião, dos caixões. Eu escolhi mostrar o lado forte, essa é a melhor mensagem pra gente”, finalizou Aras.

*Especial para Gazeta Esportiva.

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Fonte: Gazeta Esportiva

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