A proximidade da Copa do Mundo costuma despertar um ritual que atravessa gerações. Em bancas, escolas, escritórios e mesas de bar, o velho hábito de colecionar figurinhas reaparece com força total. Adultos voltam à infância ao abrir pacotes coloridos, enquanto crianças sonham em completar páginas com os rostos dos maiores craques do planeta. Mas, em meio à expectativa pelo Mundial de 2026, a paixão nacional pelo álbum oficial passou a conviver também com um adversário perigoso: os golpes virtuais.

Sites falsos que imitam a identidade visual da Panini começaram a se espalhar pela internet oferecendo promoções consideradas “imperdíveis”. Especialistas alertam que muitos consumidores acabam atraídos pelos descontos exagerados e terminam vítimas de fraudes financeiras ou da compra de produtos falsificados.

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DESCONTOS EXAGERADOS SÃO PRINCIPAL ARMADILHA

Entre os principais sinais de fraude estão os preços muito abaixo do valor praticado oficialmente. Em páginas suspeitas, kits completos aparecem com descontos superiores a 50% e até 85%, incluindo combos que sequer existem no catálogo oficial da empresa.

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Um dos anúncios fraudulentos oferece um kit com álbum capa dura e 30 pacotes de figurinhas por R$ 39,90, valor muito inferior ao praticado pela Panini. Já um suposto “kit colecionador” aparece com preço reduzido de R$ 796 para R$ 119,90.

No site oficial brasileiro da empresa, o álbum de capa dura tradicional é vendido por R$ 74,90, sem os combos promocionais divulgados pelos golpistas.


ADVOGADO ALERTA PARA CRIME DE ESTELIONATO

O advogado penal Jair Jaloreto afirma que esse tipo de golpe se tornou comum em períodos de grande procura por produtos populares. Segundo ele, criminosos exploram justamente o desejo do consumidor de encontrar preços mais acessíveis.

“O cidadão vê um preço muito abaixo do normal, acredita que encontrou uma oportunidade e acaba fazendo pagamentos via Pix, boleto ou cartão sem nunca receber o produto”, explicou o especialista.

De acordo com o advogado, a prática se enquadra no crime de estelionato, previsto no artigo 171 do Código Penal.

FIGURINHAS FALSIFICADAS TAMBÉM PODEM GERAR PROBLEMAS LEGAIS

Além das fraudes financeiras, o mercado paralelo de álbuns e figurinhas falsificadas também preocupa autoridades. Jair Jaloreto lembra que a produção e venda desses materiais violam leis relacionadas à propriedade intelectual.

Segundo ele, quem comercializa produtos falsificados pode responder criminalmente, e até consumidores que adquirem itens sabendo da irregularidade podem enfrentar problemas jurídicos por receptação.

O advogado reforça que o ideal é adquirir produtos apenas em canais oficiais, quiosques autorizados e no site verdadeiro da Panini.

ATENÇÃO AOS DETALHES DO ENDEREÇO ELETRÔNICO

Uma das estratégias mais utilizadas pelos golpistas é criar páginas com nomes quase idênticos ao endereço oficial da empresa. Mudanças discretas em letras ou caracteres costumam passar despercebidas por consumidores desatentos.

Especialistas recomendam conferir cuidadosamente o endereço eletrônico antes de efetuar qualquer pagamento. O único portal oficial da Panini no Brasil é o da Panini Brasil.



O QUE FAZER AO CAIR EM UM GOLPE

Caso o consumidor perceba que foi vítima de fraude, a orientação é registrar imediatamente um boletim de ocorrência e reunir comprovantes de pagamento, capturas de tela e informações sobre a transação.

Em alguns estados brasileiros, o registro pode ser feito de forma online. Jair Jaloreto também recomenda priorizar pagamentos via cartão de crédito em compras virtuais, já que a modalidade permite solicitar estorno em determinadas situações.

O advogado ainda faz um alerta simples, mas direto: promoções milagrosas costumam esconder armadilhas. “Quando o preço está muito abaixo do mercado, é preciso desconfiar”, resumiu.

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