Aos 30 anos, o atacante paraense Carlos Neto vive um dos momentos mais importantes da carreira. Natural de Belém e formado nas categorias de base do Paysandu, o centroavante foi um dos destaques da campanha que garantiu o acesso do Pattani primeira divisão da Tailândia. Após a conquista, o jogador renovou contrato com o clube e seguirá no futebol asiático pelas próximas temporadas.
A trajetória até o outro lado do mundo, no entanto, passou por desafios, mudanças de rumo e decisões difíceis. Robgol, como era chamado em Belém, passou sete anos nas categorias de base do Paysandu e chegou a integrar o elenco profissional em 2017, mas optou por buscar novos caminhos quando percebeu que as oportunidades não surgiriam da forma que esperava.
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“Foi uma escolha arriscada, não me arrependo. Eu estava na base, não fui procurado por ninguém por quase 2 meses no final de 2016. Quando chegou a semana das festas de final de ano saiu uma nota em que eu deveria me apresentar no profissional para a temporada 2017. Fui, criei expectativas nos 3 meses que fiz parte porque era o clube em que eu estava por 7 anos e eu queria muito isso. Mas acabou que não tive oportunidades e no meu último dia de contrato o clube me chamou para renovar, mas pra mim já não tinha mais sentido, era hora de ir em busca de algo novo”, relembrou.
Apesar da saída sem atuar profissionalmente pelo Papão, Carlos guarda boas lembranças do período vivido na Curuzu e faz questão de destacar pessoas que contribuíram para sua formação. “Eu acredito que aprendi bastante com os profissionais daquela época, como o Professor Aylton, Cametá, Nad e entre outros que me ajudaram não somente no futebol mas que também contribuíram com valores na minha formação como pessoa.”
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Experiência no futebol internacional
Depois de passagens por clubes brasileiros e uma experiência que quase o fez desistir da carreira, o atacante encontrou em Portugal a oportunidade de recomeçar. Posteriormente, construiu uma trajetória sólida na Europa antes de chegar ao futebol tailandês. “Com certeza, principalmente quando eu quis retornar ao Pará naquele período pós-pandemia para estar mais perto da família. Não tive uma experiência muito boa em um clube naquela ocasião. Tive outros fatores que também influenciam ali e me vi quase desistindo. Mas sempre fui persistente, por isso fui recomeçar do 0 em outro país”, contou.
Na temporada 2025/2026, Carlos Neto foi uma das principais peças do Pattani. Atuando em uma função diferente da tradicional de centroavante, precisou se adaptar às exigências táticas da equipe e terminou a campanha com números expressivos. “Foi uma temporada com muitos jogos, mas nosso foco estava na Thai League 2, jogando de uma forma diferente do que se vê de um camisa 9.
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Sonho em voltar ao futebol paraense
Mesmo distante do Brasil, o atacante acompanha de perto o futebol paraense. Paysandu, Remo, Tuna Luso e Águia de Marabá seguem no radar do jogador, que não esconde o desejo de um dia voltar para atuar no estado natal. “Com certeza, acompanho sempre que posso os jogos do Paysandu, Remo, a querida Tuna e o Azulão Marabaense. Eu sempre torço pela evolução do futebol do nosso estado. E claro, desejo um dia voltar e fazer parte desse novo momento dos clubes no Pará.”
Para os jovens atletas paraenses que sonham seguir carreira profissional, Carlos deixa uma mensagem baseada na própria trajetória de superação. “O que eu diria a eles é: continuem perseverando, acreditem que é possível mesmo que com poucas condições, trabalhem muito e se dediquem. O mundo do futebol não é fácil, não é somente dentro das quatro linhas. Mas se preparem para as oportunidades. Quando aparecer, aproveitem.”

