A reta final antes da Copa do Mundo tem sido marcada por pressão externa, debates sobre convocação e expectativa por resultados. No centro desse cenário está Carlo Ancelotti, que tenta manter o ambiente equilibrado enquanto ajusta os últimos detalhes da equipe.
O treinador italiano afirma que o vínculo com o Brasil não é recente. Ao longo da carreira, trabalhou com diversos atletas do país e reforça que sempre enxergou algo diferente na relação do brasileiro com a Seleção.
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“Eu trabalhei com muitos brasileiros na minha carreira e eu realmente gosto desse espírito brasileiro pela seleção. Eles têm uma gana real em treinar, um amor especial pela camisa amarela. Esse amor especial pela seleção é muito peculiar do brasileiro. Em outros países, a seleção nacional não é tão importante como é no Brasil”, disse em entrevista ao The Guardian.
Fora das quatro linhas, Ancelotti também expõe convicções pessoais que, segundo ele, influenciam diretamente na forma de liderar. Católico, o técnico diz que a fé funciona como guia nas decisões do dia a dia e na maneira como conduz o grupo.
“A religião me ensina coisas boas sobre como eu preciso conduzir a minha vida e respeitar os outros. Eu sou católico e a religião é muito importante para mim. Ela me ensina a ser uma boa pessoa no mundo”, ressaltou.
No aspecto esportivo, o momento exige cautela. Problemas físicos recentes no elenco acenderam o sinal de alerta, principalmente às vésperas do torneio mais importante do calendário. O treinador não poderá contar com Rodrygo, Estêvão e Militão, todos lesionados.
“Essa é uma preocupação que tenho. Nós já tivemos três problemas por lesão e eu espero que nós não tenhamos mais problemas antes da Copa do Mundo”, pontuou.
Vivendo o primeiro trabalho fora da Europa, o comandante também compara realidades. Ele afirma que encontrou no Brasil valores culturais que, na avaliação dele, se perderam em parte do continente europeu.
“O Brasil tem preservado sua própria cultura, é um país que sabe como valorizar a importância da família e da religião. São coisas que a Europa tem perdido. No esporte, os europeus não têm o mesmo amor pela seleção nacional. São aspectos que o Brasil tem mantido, enquanto a Europa tem perdido. Eu realmente admiro a alegria do povo brasileiro, a energia do país e a beleza do Rio de Janeiro. Isso é muito claro, especialmente no carnaval. Eu realmente gosto do Brasil”, comentou.
Entre compromissos no Rio de Janeiro e períodos no Canadá, onde mora com a esposa, Ancelotti encontra momentos de desconexão do futebol. Segundo ele, é nessa rotina fora dos gramados que consegue aliviar a pressão natural do cargo.
“Eu tenho três cachorros no Canadá. Um cachorro não é uma pessoa, mas é mais leal que uma pessoa. O cachorro não se importa se você ganha ou perde. Ele não te cobra. Quando você chega em casa, se você ganhou ou perdeu, o cachorro não se importa. O mais importante para eles é que você está em casa”, finalizou.
Com discurso sereno e foco no trabalho, Ancelotti tenta transformar admiração pelo país e confiança no elenco em rendimento dentro de campo. A resposta definitiva, no entanto, virá quando a bola rolar na Copa.

