A discussão sobre moradia digna na Amazônia, especialmente nas áreas insulares do Pará, ganhou espaço privilegiado na programação da COP30, nesta sexta-feira, na Green Zone. O painel “A Política Habitacional nas Ilhas do Pará” reuniu a vereadora de Ananindeua Monique Antunes, representantes da Companhia de Habitação do Pará (COHAB) e pesquisadores da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), reforçando a urgência de políticas públicas adaptadas às realidades ribeirinhas.
O debate partiu de um ponto central: como construir soluções habitacionais que respeitem o território amazônico, a dinâmica das marés, a vulnerabilidade climática e o modo de vida das comunidades que vivem sobre rios e furos. Ao longo da conversa, especialistas destacaram que a Amazônia urbana — sobretudo a insular — enfrenta desafios específicos, que vão desde a dificuldade de acesso a serviços básicos até a precariedade estrutural das moradias.
A vereadora Monique Antunes enfatizou a necessidade de integrar as políticas habitacionais ao planejamento climático. Para ela, a moradia precisa ser pensada como política estrutural e não como ação pontual.
“As ilhas do Pará vivem uma realidade histórica de abandono. É impossível falar em adaptação climática sem garantir moradia segura, infraestrutura e dignidade para essas populações”, destacou.
Representantes da COHAB apresentaram iniciativas recentes do governo estadual voltadas para o mapeamento das áreas de risco, além de projetos-piloto que buscam desenvolver modelos habitacionais adaptados ao ambiente ribeirinho, incluindo soluções elevadas, sistemas de captação de água e alternativas sustentáveis para saneamento.
Pesquisadores da UFRA reforçaram a importância de integrar ciência e políticas públicas, lembrando que a elevação do nível das águas, o avanço da erosão e os eventos climáticos extremos colocam as ilhas em situação de crescente vulnerabilidade. Estudos apresentados durante o painel indicam que a região insular do Pará será uma das mais impactadas pelas mudanças climáticas nas próximas décadas, exigindo ações imediatas e de longo prazo.
A participação do tema na COP30, especialmente na Green Zone, reforça o papel da sociedade civil, da academia e dos governos locais na busca por soluções que unam sustentabilidade, inclusão social e adaptação climática. O painel foi marcado por consensos: investir na habitação das ilhas não é apenas uma política social, mas uma estratégia ambiental essencial para a sobrevivência e permanência dessas comunidades tradicionais na Amazônia.
A expectativa é que o debate influencie novas agendas e estimule parcerias voltadas para transformar as políticas habitacionais do Pará em referência internacional para territórios vulneráveis às mudanças climáticas.




















