A maior parte dos brasileiros quer que o técnico Carlo Ancelotti fale o nome de Neymar no dia 18 de maio, no anúncio dos 26 jogadores do Brasil convocados para a Copa do Mundo. É o que aponta a mais recente pesquisa Datafolha.
De acordo com o levantamento, 53% da população deseja ver o atacante de 34 anos no Mundial deste ano, que será realizado nos Estados Unidos, no México e no Canadá.
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A parcela contra o chamado é de 34%; 8% são indiferentes, e 5% não souberam responder. Os números são mais favoráveis ao atleta em relação à pesquisa anterior: em junho do ano passado, 48% eram a favor, e 41%, contra.
O instituto ouviu 2.004 pessoas de 16 anos ou mais nos dias 7, 8 e 9 de abril, em 137 municípios. A margem de erro dos números apresentados na amostragem geral é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
Principal atleta do futebol brasileiro na década de 2010, Neymar tem enfrentado dificuldades nas últimas temporadas. Os problemas físicos passaram a se acumular, e ele nunca conseguiu recuperar o melhor nível desde a mais grave das lesões, uma ruptura do ligamento cruzado anterior e do menisco do joelho esquerdo, em outubro de 2023.
Àquela altura, o paulista de Mogi das Cruzes já estava no Al Hilal, da Arábia Saudita, em um mercado riquíssimo, mas periférico no futebol. E não conseguiu jogar. Em pouco mais de um ano e cinco meses no time, entrou em campo sete vezes, com um gol e duas assistências.
No início de 2025, retornou ao clube em que surgiu. A ideia anunciada na volta ao Santos era recuperar a alegria e a forma, justamente com o intuito de regressar à Seleção Brasileira.
O primeiro ano da reunião, porém, ficou bem longe da expectativa bradada na festa de apresentação: “Eu volto com vontade de ser campeão”. A maior glória alvinegra foi escapar do rebaixamento à segunda divisão do Campeonato Brasileiro.
Neymar esteve em 28 jogos da formação praiana em 2025 e em oito em 2026, um total de 36, com 15 gols e 7 assistências. Com lesões musculares e ligamentares, teve dificuldade enorme para entrar em campo com regularidade. Quando entrou, teve bons momentos, mesmo atuando no sacrifício, foi decisivo para evitar o descenso no Brasileiro, e também atuações discretíssimas.
“Eu não vou ser o Neymar de 10 anos atrás, não vou ser. É muito diferente. Hoje, eu aprimorei o meu jogo de uma forma que, para mim, é o necessário”, disse, em vídeo publicado nas redes digitais. Ele tem divulgado os treinos e atividades do dia a dia em gravações.
No dia seguinte à publicação, teve um desempenho fraco no clássico contra o Corinthians. E, no dia subsequente, ficou fora da última convocação de Ancelotti antes da divulgação da lista final do Mundial.
O treinador é sempre cordial quando questionado sobre o craque. Não lhe fecha a porta, porém não lhe chamou nenhuma vez e insiste que só utilizará jogadores fisicamente “100%”. Essa não é a situação de Neymar, o que faz as pessoas próximas ao comandante considerarem muito difícil a convocação.
Na mais recente entrevista, concedida ao jornal francês L’Equipe, Ancelotti disse que o atacante “está no caminho certo”. “Ele precisa continuar nessa direção e melhorar o condicionamento físico”, afirmou.
O italiano chegou a visitar o pequeno Estádio José Maria de Campos Maia, em Mirassol, no mês passado, para ver um Mirassol x Santos. O único jogador que poderia de fato ser observado para a Seleção seria Neymar. Mas ele não jogou, com um desconforto muscular.
Não ajuda o atleta o fato de o ataque ser o setor com mais opções de qualidade na Seleção. Mesmo sem Rodrygo, que teve lesão grave e está fora da Copa, Carletto tem à disposição Vinicius Junior, Raphinha, Estêvão, Matheus Cunha, Luiz Henrique, Gabriel Martinelli, João Pedro, Igor Thiago e Endrick.
No mais recente amistoso da equipe, 3 a 1 sobre a Croácia, Luiz Enrique e Endrick se destacaram, Igor Thiago e Martinelli marcaram. E a possibilidade de Neymar ir ao Mundial ficou ainda mais remota.
Mas o veterano ainda é uma personagem grande do futebol, com três Copas do Mundo no currículo. Embora o número de jogos seja bem maior do que o de nomes como Pelé – por mudanças na dinâmica e no calendário do esporte -, ninguém marcou mais pela Seleção do que ele: 79 gols em 128 partidas.
O apelo é maior entre os jovens, que cresceram vendo os melhores momentos, sobretudo com a camisa do Barcelona. No recorte das pessoas de 16 a 24 anos, com margem de erro de cinco pontos percentuais, 65% são a favor da convocação, com 24% contra. Entre aquelas com mais de 60, na mesma margem de erro, a distância é bem menor: 46% a 38%.
Neymar também é mais apreciado por aqueles que se reconhecem à direita no espectro político. Eleitor declarado de Jair Bolsonaro em 2022, ele tem a convocação defendida por 62% dos que dizem que votarão no filho de Jair, Flávio Bolsonaro (PL), na próxima eleição presidencial, com 26% contra – a margem de erro é de quatro pontos percentuais. Entre os que afirmam que votarão em Lula (PT), com margem de erro de três pontos, são 46% a favor e 43% contra.

