O confronto caminhava para ser um dos mais interessantes do campeonato, mas a expulsão do atacante Renan Gorne aos 36 minutos do 1º tempo alterou todo o cenário para os dois lados. O Remo, que até então jogava agressivamente, explorando triangulações pelos dois lados e buscando sempre o gol, viu-se obrigado a diminuir o ritmo e a guarnecer o setor defensivo. O Castanhal não soube explorar a vantagem e se perdeu em cruzamentos inúteis.

Até os 20 minutos, a partida foi eletrizante, principalmente pela velocidade que o Remo imprimia às jogadas. Foi desse jeito que, aos 14 minutos, Marlon lançou Renan Gorne na área e o centroavante bateu cruzado rente ao travessão, sem chances para o goleiro Axel. No minuto seguinte, o Castanhal conquistou o empate. Gui Campana recebeu belo passe de Magnum e bateu no canto esquerdo de Vinícius.

O Remo pressionava o Castanhal usando principalmente as manobras com Marlon, Lucas Siqueira e Lucas Tocantins. Foi por esse lado do ataque que nasceu o segundo gol, aos 20’. Lucas Tocantins tocou para Marlon, que enganou a marcação e chutou de pé direito, à meia altura.

Funcionava muito bem a estrutura ofensiva do Remo, baseada em deslocamentos constantes e passes de primeira. Dioguinho, muito marcado, teve que buscar espaço no ataque e no meio, onde partilhava tarefas com Gedoz.

Aos 37’, uma falta normal acabou tirando Gorne do jogo e afetou o modo de atuar do Remo. O atacante já tinha amarelo e reclamou da marcação. O segundo amarelo foi então aplicado e o jogador, excluído.

Reclamações acintosas devem ser punidas com advertência ou cartão, mas a atitude do atacante em relação ao árbitro não pareceu exagerada – a expulsão, sim. Lances mais ríspidos deixaram de ser punidos com o mesmo rigor, como a entrada violenta de Cleberson em Tocantins (nem recebeu amarelo) e um carrinho duríssimo de Uchoa em Campana.

No 2º tempo, o nível caiu muito principalmente em função da readequação que Bonamigo foi forçado a fazer, passando a se resguardar e evitando povoar o ataque. Ainda assim, o time azulino teve as melhores chances de gol. Já o Castanhal parece ter se perdido ainda mais no jogo.

Aos 10 minutos, Kevem aproveitou rebote da zaga e mandou um chute forte, que passou à esquerda da trave. Aos 18’, de pé esquerdo, Dioguinho ameaçou da entrada da área com um tiro seco, que passou perto do gol.


O Castanhal era tímido e errático, indeciso entre impor pressão e se acautelar. Quando ia à frente, sempre optava pelos cruzamentos. Aos 23’, Lucas teve a melhor oportunidade. Cabeceou firme, mas Vinícius defendeu sem problemas.

Vieram então as mudanças no Remo. Saíram Dioguinho, Kevem e Tocantins para as entradas de Tiago Miranda, Fredson e Gabriel Lima. A equipe ganhou em rapidez, mas perdeu conjunto. Mesmo assim, quase fez o terceiro em boa investida de Tiago Miranda, aos 33’.

No recorte disciplinar do jogo, uma chuva de cartões: dez no total, sendo um vermelho. Na real, não houve motivo para tantas advertências.

A promessa de um bom duelo não vingou, embora o início do Remo tenha deixado a certeza de que a equipe titular está bem ajustada, apagando a impressão ruim dos últimos dois jogos.

 

 

Trio Lucas-Marlon-Tocantins em tarde inspirada

 

As atuações individuais mais interessantes ficaram restritas nos primeiros 45 minutos. No Remo, destaque para Marlon, Lucas Siqueira, Tocantins e Renan Gorde, que caíam pelo lado esquerdo e levavam ampla vantagem sobre o setor mais frágil da zaga castanhalense.

No meio-campo, Gedoz foi absoluto, distribuiu passes caprichados e descolou um chapéu de almanaque sobre Samuel. Uchoa foi bem. Gabriel Lima não teve tempo para jogar. Renan Oliveira entrou no final e mal pegou na bola.

No Castanhal, boa participação de Samuel e Gui Campana. Fidélis teve altos e baixos. O centroavante Canga, pouco acionado, não apareceu.

 

 

Poder da grana tende a favorecer ideia da Superliga

 

O mundo do futebol virou de ponta-cabeça nos últimos dias quando veio à tona, domingo, um grande plano para elitizar definitivamente as competições europeias: o projeto de criação da Superliga. A notícia caiu como bomba e gerou reações furiosas por parte das grandes torcidas.

Os 12 gigantes da Europa que apoiam a iniciativa foram obrigados a recuar estrategicamente, embora o espanhol Florentino Perez, presidente do Real Madrid, não demonstre intenção de capitular. Na essência, o maior risco para a Superliga é a debandada dos clubes ingleses.

Mas, segundo Perez, a ideia já era discutida há três anos, na moita. O objetivo sempre foi criar um modelo pautado no êxito esportivo e financeiro da NBA, com times fixos, sem previsão de descenso.

É claro que a Superliga significa um golpe de morte no poder da Uefa e nas ligas nacionais do continente com consequências até na Conmebol. O posicionamento da Uefa, ameaçando banir clubes, parece ter funcionado.

O que se sabe é que o formato da Superliga teria 20 clubes, distribuídos em duas chaves. Oito se classificam para a fase de mata-mata, totalizando 18 ou 22 jogos por time. A disputa seria entre maio e junho, em pleno verão europeu.

Mesmo levando em conta os seus muitos interesses contrariados, a Uefa tem sólidas razões para classificar o projeto de excludente e elitista. A dúvida é saber se os princípios éticos irão mesmo se sobrepor à atração irrefreável pelos altos lucros.

Um detalhe fundamental: se a Champions gera 3,2 bilhões de euros, divididos entre todos os participantes, a Superliga acena com lucratividade superior a 4 bilhões, que serão destinados diretamente aos sócios fundadores.

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