O plano da Fórmula 1 de iniciar o campeonato em julho, definido em reunião entre os comandantes da categoria e os chefes das equipes na semana passada, começa a ganhar corpo. A ideia é fazer a primeira etapa na Áustria, no primeiro final de semana do mês, data original da prova, com portões fechados, e depois seguir para uma sequência de provas na Inglaterra, também sem torcedores.

A Áustria é um dos países europeus que adotaram a política de massificação de testes para o novo coronavírus e que já começaram a relaxar as regras de isolamento de forma paulatina. Além disso, o circuito Red Bull Ring se localiza em uma área rural, na região da Estíria, e a realização da etapa tem o apoio financeiro da marca de bebidas energéticas, que possui duas equipes na F-1.

Ainda assim, a corrida seria realizada sem a presença da torcida e com um grupo bastante reduzido de profissionais. A ideia da F-1, segundo divulgou recentemente o diretor técnico da categoria, Ross Brawn, é fazer testes todos os profissionais que viajarem à prova e, mesmo assim, é esperado que o governo austríaco determine uma quarentena e obrigue todos a usarem máscaras durante a estadia no país.

“A comunidade da F-1 está com medo de ser infectada e quer se isolar o máximo possível. E ao mesmo tempo isso é bom porque a população local também teme ser infectada. Todos estão com medo, então todos terão muito cuidado”, disse o consultor da Red Bull, Helmut Marko, à Autosport. A ideia, inclusive, seria iniciar também os campeonatos da F-2, F-3 e Porsche Supercup, que normalmente acompanhariam a F-1. “Mas claramente isso só pode ser feito dentro das regras de segurança do país, que ainda estarão em vigor. Vejo que as chances são boas.”


Da Áustria, o campeonato seguiria, então, para uma série de duas ou três provas em sequência na Inglaterra, no circuito de Silverstone. Com parte do custeio bancada pela Liberty Media, que detém os direitos comerciais da categoria, os britânicos também receberiam as etapas sem a presença de público.

Esta é considerada a melhor opção porque sete das dez equipes têm suas fábricas na Inglaterra – a maioria delas, inclusive, muito perto do circuito de Silverstone. Além delas, a AlphaTauri, que é italiana, tem parte de suas operações na Inglaterra. Então somente Ferrari e Alfa Romeo teriam que adequar totalmente suas operações no período. No Reino Unido, embora estejam em vigor medidas de isolamento e o governo prefira não determinar uma data para que elas acabem, as fronteiras seguem abertas.

Depois disso, a continuidade do campeonato dependeria das resoluções em cada país e dos acordos que a Liberty conseguir estabelecer com os promotores, que já pagaram para receber as provas deste ano, mas receberiam uma ajuda justamente pela impossibilidade de reaver o investimento por meio da venda de ingressos, além da possibilidade de quebra de contrato por parte de patrocinadores.

Devido às restrições de viagem que devem se manter ao longo de 2020, o mais provável é que a temporada siga dentro da Europa nos primeiros meses, sendo realizada sem público. É o que os organizadores do GP da Itália, marcado para o início de setembro, estudam fazer. O presidente da ACI Italia, Angelo Sticchi Damiani, afirmou ao jornal local Il Giorno, de Monza, que “se estuda preparar uma corrida sem público. É algo que não entusiasma ninguém, mas sabemos que isso é importante para que o campeonato seja realizado.”

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E MAIS…

O esforço da F-1 em fazer o máximo de corridas possível tem implicações comerciais, e a categoria já abriu a possibilidade de terminar o campeonato de 2020 somente no início do ano que vem, e poderá inclusive testar novos sistema de disputa.

Até o momento, sete provas foram adiadas e duas (Austrália e Mônaco) foram canceladas. A primeira etapa que ainda não foi adiada é o GP da França. No momento, a população do país está em isolamento até o dia 11 de maio, e eventos estão proibidos até meados de junho, pouco antes da data marcada (28 de junho) para a prova, mas o governo aponta para um retorno bastante lento à normalidade.

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